
Green Yoga
Yoga Verde Para Além da Caverna
Em eras passadas, o Yoga era geralmente associado a um ideal de abandono efectivo do mundo. Muitos yogins e yoginis (praticantes femininas de Yoga) deixavam as suas casas e as suas famílias em busca de solitude nas florestas e nas montanhas. Procuravam uma caverna adequada ou a sombra de uma árvore para perseguirem o caminho contemplativo e viverem o resto das suas vidas afastados dos restantes humanos.
Foram os sábios das primeiras Upanishads que introduziram o inovador ensinamento de "sacrifício interno" junto com a "renúncia interna". Em contraste, o Brahmanismo predominante, a tradição antiga do sacerdotismo de elite, favorecia todo o tipo de sacrifícios externos como a forma ideal de ganhar a graça de uma ou outra divindade, como Shiva, Vishnu ou Kali.
Os grandes professores das Upanishads ensinaram que o que realmente importava no caminho espiritual era cultivar a disciplina do sacrifício próprio. Isto significava abandonar o "reflexo do ego" e internamente renunciar a todos os apegos ao mundo e à sociedade, assim como ao corpo e à mente.
Esta nova orientação filosófica é expressa de uma bela forma na Bhagavad-Gita, que é tradicionalmente referida como sendo a "nata" das Upanishads. Supostamente composto no século V AC, este texto Sânscrito de 700 estrofes proclama o ensinamento integrativo que o processo yoguico pode ser utilizado em qualquer lugar. Não necessita de uma caverna remota ou de uma floresta densa para o seu sucesso.
Pelo contrário, Krishna o perito iluminado, a quem é acreditado este ensinamento, refere que este tipo de prática extrema não conduz à paz interior, quanto mais à iluminação. Nas suas próprias palavras:
Não se goza a acção transcendente(2) abstendo-se de agir, nem se aproxima a perfeição apenas pela renúncia.
Pelo que, nem por um momento pode alguém existir sem realizar acções. Todos são inconscientemente feitos para agir pelas qualidades cósmicas.(3)
Alguém que reprima os órgãos de acção(4) mas que se senta recordando com a mente os objectos dos sentidos é chamado de hipócrita iludido.
Mais excelso que isso é alguém que, controlando os sentidos com a mente, embarca desapegado no Yoga da Acção com os órgãos da acção.
Deverás realizar todas as acções designadas, pois a acção é superior à inacção; nem sequer os processos do teu corpo podem ser realizados pela inacção.
Este mundo obriga à acção, excepto quando esta acção é sacrifício. Com essa intenção, realiza acções livres de apego.(5)
Apenas a acção auto-transcendente é sacrificial, isto é, oferenda abnegada, que não contém elementos de apego. Porque não envolve o ego, também não causa sofrimento que surge com o ego. Em linguagem yoguica, a acção auto-transcendente não tem consequências kármicas.
Então, é muito importante saber que agir abnegadamente não é o único critério em Karma-Yoga. Para uma actividade ser auto-transcendente tem de ser também o tipo certo de acção, isto é, tem de ser moralmente sã e apropriada.
Caso contrário, poder-se-ia argumentar que um maníaco homicida que mata pessoas de modo a "libertá-las" do seu aparente sofrimento se qualificaria como praticante de Karma-Yoga. Aos seus olhos, ele estaria a prestar-lhes um serviço abnegado. Aos olhos do mundo, porém as suas acções seriam absurdas e moralmente repreensíveis. Claro que, a sua presumível abnegação seria pouco mais que a sua grandiosa ilusão provinda de um egotismo fora de controle.

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Antes, a questão era descobrir se a vida precisava de ter algum significado para ser vivida. Agora, ao contrário, ficou evidente que ela será vivida melhor se não tiver significado. Albert Camus

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