Em Um Instante...

A natureza nos ensina: o belo ganho o vento e ressurge sempre.
Aqui preparamos uma elegia ao movimento das coisas que existem e passam e registram na alma formas, cores, perfumes, sabores.
É sublime consciência de estarmos vivos e sermos filhos do tempo.
Desse sagrado faz-e-refaz, vem à certeza de que os sentimentos de felicidade e êxtase germinam no desapego.
...Leveza
Como é possível? Uma película tão frágil retém o sopro que nasce na gente e flutua no ar. Reflete a paisagem em torno de si e ainda mostra a natureza multicolorida da luz.
Não é coisa pouca para algo tão simples. Fugazes as bolhas de sabão aceitam seu destino de brincar no espaço e não pensam na eternidade. Preferem desaparecer, puft!, deixando em seu sumiço uma querida lembrança da infância.
...Transformação
Mal se forma e já começa deixar de ser para ser outra coisa, sutil.
Qualquer semelhança com os instantes que tecem a vida não é mera coincidência. Então, que ninguém perca a oportunidade de curtir o bom do aqui e do agora.
O gelo, como a nossa estrada, merece assumir a forma mais bonita. Cientes de sua natureza, estas pedras guardam uma folhinha de hortelã. Quando voltam para a água, liberam um delicioso frescor. Também o açúcar, esculpido em palitinhos, cumpre seu destino de adoçar tudo o que toca graciosamente.
...Criação
Ele já está ali, na idéia de quem constrói um castelo, mas como é de areia vai ser dissolvido pela primeira onda. E daí? O trabalho foi feito, realizado pacientemente, da melhor maneira, como um tributo à imaginação que temos todos – graças aos deuses. E é isso que nos faz dignos desse presente que se chama vida. Na Semana Santa, a serragem tingida cobre as ruas com tapetes lindos. Na fé do devoto, o seu Senhor entende o capricho como reverência e homenagem. E assim vale o trabalho mais uma vez realizado, pacientemente e da melhor maneira, não importa se dissolvido no primeiro passo.
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